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02/10/2009

NO CAMINHO COM MAIAKOVSKI


"[...]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

[...]"




Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

"Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
A fim de que nada passe por imutável."
Bertold Brecht (1898-1956)







Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.





Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...
Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007


POEMA INTEIRO, veja como é:


NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

Eduardo Alves da Costa


QUESTIONAMENTOS

Quem é o autor deste poema?

Este poema não é de Maiakovski, poeta russo "suicidado" após a revolução de Lenin. Ele nunca escreveu este poema no início do século XX.

Este poema é de Eduardo Alves da Costa, nascido em Niterói, publicado no livro "Os Cem Melhores Brasileiros do Século", organizado por Jose Nêumanne Pinto, pag. 218.. Ele garante que Maiakovski nada tem a ver com o tema, assim noticia a Folha de São Paulo, edição de 20.09.2003, na íntegra:


Um Maiakóvski no caminho

Esta confusão de 30 anos foi resolvida na novela "Mulheres Apaixonadas", este poema foi escrito nos anos 60 pelo poeta fluminense Eduardo Alves da Costa, era quase sempre creditado ao russo Vladimir Maiakóvski (1893-1930).Na novela, Helena (Christiane Torloni) leu um trecho do poema, dando o crédito correto.

Eduardo Alves da Costa falou no Jornal a Folha:

Costa - uma enxurrada muito grande. Saiu em jornais com crédito para Maiakóvski. Fizeram até camisetas na época das Diretas-Já. Virou símbolo da luta contra o regime militar.

Como surgiu o engano?
Costa -
O poema saiu em jornais universitários, nos anos 70. O psicanalista Roberto Freire incluiu em um livro dele e deu crédito ao russo e me colocou como tradutor. Mas já encomendei da França a obra completa do Maiakóvski. Quando alguém me questionar, entrego os cinco volumes e mando achar o poema lá.

É plágio?

Outro questionamento é o de plágio de um outro poema, um trecho de sermão, de um pastor luterano, alemão, da época do nazismo, Martin Niemöller, publicado 1933.

1º) Zuerst kamen sie für die Kommunisten, und ich war nicht Kommunist, und da hab ich nichts gesagt und nichts getan, und dann kamen sie für die Gewerkschaftler, und ich war kein Gewerkschaftler,und sie kamen für die Sozialdemokraten, und sie kamen für die Katholiken, und sie kamen für die Juden, und ich war keiner von denen, und dann kamen sie für mich, und da war keiner mehr, der schreien konnte.

2º) Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar.



Fica ao critério de cada pessoa. Eu não vejo como plágio, existe pontos comuns, mas a criatividade há uma distância muito grande um do outro.

A verdade é que, o fragmento é belíssimo, muito forte e tem inteireza, porque não necesita de todo poema, é lido em todo o planeta correndo trechos pelo mundo à fora.


(Esta é uma cópia exato encontrado no Santo Google).

Leia e deixe ser tocado pelo coração!




30 comentários:

"Fine Biscuit" disse...

Esse texto é um clássico, e a essência da mensagem é de extrema importância. Bem lembrado! Bjs

Chica Galvão disse...

Esse poema é lindíssimo, mas desconhecia os outros. Eu não vejo como plágio.
Questionam, La Fontaine e Monteiro Lobato.
Este é um cântico.
Beijinhos

Zininha disse...

Vamos dizer que é um belíssima coincidência...


Beijos... feliz fim de semana amiga...

angela disse...

Eles tem semelhança na denuncia ao comodismo, mas retratam problemas diferentes, o que tem de parecido mesmo é a reação das pessoas.
beijos

Zininha disse...

VIM DEIXAR UM MIMO...
NO JARDIM DA MINHA VIDA, TEM UM SELINHO QUE FIZ PARA TODAS AS AMIGAS DO BLOGSPOT...VAI LÁ SE GOSTAR... FICAREI FELIZ EM VÊ-LO AQUI... BEIJOS...

BOM FIM DE SEMANA...

Norma Villares disse...

Grata pela presença Fine Buiscuit, esse texto realmente é um clássico, e corre pelo mundo à fora. Abraços

Norma Villares disse...

Olá Socorro, grata pela presença e comentário. Com certe é belo este poema. Pois é, La Fontaine tem a Cigarra e Formiga, e Monteiro Lobato tem duas fábulas com a Cigarra e a Formiga Boa e Má. Abraços

Norma Villares disse...

Olá Zizinha, muito grata pela presença no blog, e com o coração enriquecido pelo mimo alquímico. Vou buscar o presente. Abraços

Yolanda disse...

Belíssimo esse poema, é muito conhecido, os outros eu desconhecia. Também não vejo como plágio, concordo com Angela.
Norma veja meu espaço, ainda estou construindo. Já mudei o template, mas tem muita coisa pra fazer ainda.Beijinhos no coração

MOMENTOBRASILCOM.COM disse...

Olá NORMA: Parabéns pelo belo trabalho. Grato pelas visitas. Fienza contactar com: redacaocpibrasil@ymail.com Abrçs Roy Lacerda.

Norma Villares disse...

Yolanda, grata pela visita e comentário. Vou ver seu espaço na net. Abraços

Norma Villares disse...

Olá MOMENTO BRASIL, eu também agradeço a visita e o comentário. Farei o contato. Abraços

Viveka disse...

Parabéns pelo belo blog. Eu conheço este fragmento mas não conhecia o poema completo, e nunca soube das polêmicas, porque quando conheci sabia que era de poeta de Niterói.
Eu estou com o blog e espero ajuda sua. Iniciando, mas seguindo as instruções estou me valendo daquele blog que vc me indicou, realmente é muito bom. Bj

Norma Villares disse...

Obrigada Viveka, visitei seu espaço e está muito bonito também. Abraços iluminados

Marcos Takata disse...

Amiga, mto bom este poema, em boa hora lembrado. Estes outros desconhecia. Bijus

Norma Villares disse...

Marcos sumido, onde andava. Esses outros recebi num email. Abraços sublimes

ONG ALERTA disse...

podemos fazer algo sempre mas tem de querer fazer este é mais difícil...paz

MOMENTOBRASILCOM.COM disse...

Olá NORMA: Fineza entrar em contato com:roylacerda@bol.com.br
Abrçs.

Norma Villares disse...

ONG, realmente é FAZER que modifica a realidade. A omissão é grande mal para humanidade, o mínimo que podemos é FAZER alguma coisa. Obrigada pela visita e comentário. Abraços

Norma Villares disse...

Roy já entrei em contato comn você. Abraços

Isabel José António disse...

Olá Norma,

Lindíssimo post este sobre a indiferença que não devemos ter. Parabéns.

Todos somos UM. Todos fazemos parte da mesma Realidade de tudo o que existe. Nas veias, para além do sangue temos também a seiva das árvores, o pó das estrelas e tudo quanto acontece, tudo influencia tudo.

Logo se cultivarmos a indiferença, o medo, a despreocupação, elas acabam por acontecer nas nossas vidas.

Viver é interagir, cooperar e relacionarmo-nos.

Um grande abraço

José António

Norma Villares disse...

É a indiferença que paralisa diante de um medo inicialmente real, mas aumentado pelo imaginário. E assim, já não podemos dizer nada.
Obrigada Isabel
Abraços

FrancK P_LavD disse...

Olá Norma,

Não vou referir-me a algum post em especial porque todos são bons e os seus blogues são maravilhosos transmitem-nos muita Paz.

Muito obrigado por ter homenageado a grande Diva do Fado, Amália Rodrigues.

Gostaria de lhe dizer que o fado "O Grito" foi cantado no seu funeral.

Ontem ela foi homenageada em todo o Portugal e foi criada uma rádio com o seu nome.

Grande Abraço e muita Paz.
FrancK

Norma Villares disse...

Realmente ela é a Diva do Fado, nasceu pra ser que foi.
Que linda homenagem!
Ela merece.
Obrigada pela visita
abraços

O Profeta disse...

...Às vezes uma intensa alucinação
Em que viajas pelo meu eu
Às vezes o mundo fica em espera
Da união do mar com o céu

Onde param os teus anseios
Onde encontras a sublime calma
Nestes dias de dura tormenta
Onde aqueces a tua alma?

Voa comigo...


Mágico beijo

Norma Villares disse...

Profeta, que bela poesia!

Às vezes esperamos demais.
Viajamos no mundo do ideal
Sem realizar nada
Precisamos da união dos homens de bem

Obrigada pela visita e comentário
Abraços e Profetadas

Hugo Cheng disse...

Este fragmento é belíssimo, e bem atual.
Eu também não vejo como plágio, cada um com seu tempo e sua história.
Bj

Norma Villares disse...

Obrigada amigo, eu também tenho a mesma opinião que você.
Melhores abraços

Lívia Luz disse...

Eu conhecia o primeiro poema, mas os outros desconhecia, todos são fortes e reais.
Espetaculares
Bj no coração

Anônimo disse...

a real historria nunca é divulgada ,antes do EDUARDO houve outra pessoa .

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