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15/03/2010

SLOW DOWN


Esse texto é muito interessante! Vale a pena pensar no assunto. Foi escrito por um brasileiro que vive na Europa, a traz algumas reflexões para meditar, principalmente quem mora em cidades grandes, onde a pressa se tornou um ícone de excelente status. Por favor, leia ate o fim. Na moral! Leiam até o fim, rsrsrsrs.

"Há 18 anos que resido na Suécia, e trabalho na Volvo também uma empresa sueca. Trabalhar com eles uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. regra. Então, nos processos globais, nós (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada.
Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo. Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões e ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slow down". O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui.

E vejo assim:
1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. Tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000
habitantes (compare com Curitiba, que tem 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare... Nada mal, não?
5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários. Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles. Vou contar para vocês uma breve história.
A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (2.000 funcionários de carro).
No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:

"Você tem lugar demarcado para estacionar aqui?
Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final." Ele me respondeu simples assim: "É que chegamos cedo, e temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?"
Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos.

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália. O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade.

A idéia veio a se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida em que o americano endeusificou. A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo debase para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week numa edição européia.

A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo feito a "quantidade do ter" em contraposição a qualidade de vida ou "qualidade do ser".

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana ) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses.

E os alemães, que em muitas empresas institutuíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%.

Essa chamada "slow" atitude está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (fazer já). Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem ter menor produtividade.

Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, ateção aos detalhes e com menos "stress".Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e concreto em contraposição ao "global" - indefinido e an=F4nimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais"leve" e, portanto, mais produtivo onde seres humanos, felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.

Gostaria de que vocês pensasse um pouco sobre isso... Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A pressa é inimiga da perfeição".
Não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura?
Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa"até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade do ser"?

No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela responde:
- "Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos."
- "Mas em um momento se vive uma vida" - responde ele, conduzindo-a num passo de tango. E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é único tempo que existe.
Tempo todo mundo tem, por igual!
Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon:
"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"...(desconhecido).

Parabéns por ter lido até o final!
Muitos não conseguiriam ler esta mensagem até o final, porque não podem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado, de "corre corre" doentio...
Pense e reflita, até que ponto vale a pena deixar de curtir sua família.De ficar com a pessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas...
Poderá ser tarde demais!
Saber é aprender para sobreviver...
Abraços.

16 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Norma
Sensacional o texto, li até o fim porque o texto me prendeu. É a pura realidade, aqui no Brasil as pessoas não comem, engolem, estão sempre muito apressados e na maioria das vezes nem sabem porque.
História do estacionamento me deixou impressionado com a lógica. 1º mundo, é 1º mundo.
Beijos
Beijos

Norma Villares disse...

Wanderley,
Você leu!
Parabéns! Que bom que venceu o stresssssssss e não ler as postagens longas.
Venceuuuuuuuuuuu
Abraços

*Teresa Cristina* disse...

Nossa q interessante!!
Tem uma cena de pressa que acho ridicula....aeroporto....na sala de embarque quando abrem o portão pra tds embarcarem parece uma manada correndo....até parece mesmo q o avião vai sair sem tds os passageiros a bordo...Falta de bom senso!!
A pressa te faz apreciar menos o lugar...as pessoas...
Boa semana pra ti ....e de preferencia sem pressa*Ü*
Bjss♥

Marcos Takata disse...

Norminha,
Eu li até o fim. Realmente um texto bacana. Essa pressa que toma conta. Sabe que deu vontade de pular, hahahahah. Mas resistir, ahahah.
Muito bom, vou refletir.
Bijussssssssss

angela disse...

Um texto brilhante provavelmente fruto do estilo de vida do escritor. Slow...
beijinhos

Maroca disse...

Miga,
Que texto é esse, parabéns pela escolha.
Precisamos fazer parte dese movimento slow.
Eu também tive vontade de pular parágrafos, mas venci. Venci. Li até o fim. Esse é um teste.
Fiquei encantada com o exemplo do estacionamento.
Beijinhos

Sônia Silvino disse...

No trânsito, por exemplo, as pessoas "voam" por entre os outros carros, xingam e... muitas vezes, param logo adiante: neurose pura!
Qualidade de vida: indispensável!
Ótimo post, amiga!

Sônia Silvino disse...

Norma...
Já viste o teu blog em destaque nessa semana no THE BEST BLOGS? http://soniasilvinothebestblogs.blogspot.com
Até sábado!
Bjkas, muuuitas!

Hana disse...

Olá! Eu sou luz e estou Hana e reconheço a luz em vc, em seu blog tbém.Minha imensa gratidão pelo seu afeto em meu blog, assim pude chegar a este lugar lindo, mágico.Hoje entrei tarde aqui em seu blog, então não pude terminar de ler seu post mas amanha venho acabar de ler, a princpio eú adorei, tudo por aqui. ja estou seguindo!
com carinho
Hana

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Nossa que texto bacana.
Reconhecer que a vida é única e especial e como tal deve ser vivida degustando-a deve ser a chave para muitos desentendimentos.

Beijo

Norma Villares disse...

Marcos que bom que você venceu a pressa. Praticou slow. Parabéns!
Grande abraço

Norma Villares disse...

Grande verdade Teresa, como diz o poeta: a manada, risos.
Abraços

Norma Villares disse...

Muito obrigada Hana pelas lindas palavras,

Angela, a visita pontual.

Ana Cristina, grata pelo comentário,

Abraços iluminados, com a benção de Deus.

Norma Villares disse...

Sonia,
Eu fui lá e não vi, a postagem.
Abraços iluminados, com a benção de Deus.

Enajer disse...

Sensacionallllllllllllll...
Copiei para enviar por e-mail para meus frenéticos irmãos . Um grande abraço!!

Enajer disse...

O texto serviu para me dar um freio e me fazer demorar por aqui - até cheguei a tomar um cafézinho...gostei muito não viu? as imagens das apetitosas comidas me deram fome e nem mesmo a receita tem! (rsrs)- brincadeira!! adorei tudo aqui, brinquei até com as bolinhas...Tá vendo, como a leitura ajuda?
Um bjãooooooooooo

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