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06/04/2010

O TEU RISO




Tira-me o pão, se quiseres,
t
ira-me o ar, mas não

me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
d
e prata que em ti nasce.



A minha luta é dura e regresso
c
om os olhos cansados

às vezes por ver que a terra não muda,
m
as ao entrar teu riso
Negritosobe ao céu a procurar-me e abre-me todas
a
s portas da vida.



M
eu amor, nos momentos

m
ais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
r
i, porque o teu riso

será para as minhas mãos
c
omo uma espada fresca.

À
beira do mar, no outono,

t
eu riso deve erguer

sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
q
uero teu riso como

a
flor que esperava,

a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.


R
i-te da noite,

do dia, da lua,
ri-te das ruas
t
ortas da ilha,

r
i-te deste grosseiro

r
apaz que te ama,

mas quando abro
o
s olhos e os fecho,

q
uando meus passos vão,

quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a
luz, a primavera,

m
as nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda



Neftalí Ricardo Reyes, dito Pablo Neruda. Poeta chileno (Parral 1904 - Santiago 1973). Cônsul do Chile na Espanha e no México, eleito senador em 1945, foi embaixador na França (1970). Suas poesias da primeira fase são inspiradas por uma angústia altamente romântica. Passou por uma fase surrealista. Tornou-se marxista e revolucionário, sendo, primeiramente, a voz angustiada da República Espanhola e, depois, das revoluções latino-americanas. Esteve no Brasil em diversas oportunidades, e, numa delas, declamou poemas seus perante grande massa popular concentrada no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Obras principais: A canção da festa (1921), Crepusculário (1923), Vinte poemas de amor e uma canção desesperada (1924), Tentativa do homem infinito (1925), Residência na terra [vol. I, 1931; vol.II, 1935; vol.III,1939, que inclui Espanha no coração (1936-1937)], Ode a Stalingrado (1942), Terceira residência (1947), Canto geral (1950), Odes elementares (1954), Navegações e retornos (1959), Canção de gesta (1960), ensaios (Memorial da ilha negra, 1964) e a peça teatral Esplendor e morte de Joaquín Murieta (1967). Em 1974, foi publlicado o volume autobiografico Confesso que vivi. (Prêmio Nobel de Literatura, 1971).


Fonte: http://www.fabiorocha.com.br/neruda.htm:

8 comentários:

"Fine Biscuit" disse...

OI Norma, tudo bem? Gostaria de avisá-la que optei por expor meu blog apenas para convidados (é que tive alguns probleminhas devido à abertura irrestrita). Sendo assim, para que pessoas indesejáveis não tenham mais acesso, estou cadastrando os e-mails dos seguidores, como você é uma deles, se tiver interesse em continuar seguindo, peço que me passe o seu. Grande beijo!

Maroca disse...

Muito bonita esta poesia. Ele realmente é um escritor de mão cheia.
Beijo no core

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Norma, um de meus escritores preferidos.
Realista, mas com aquele que de lirismo que encanta.

Beijo

angela disse...

Sem duvidas ele é dos grandes poetas, linda escolha
beijos

IVANCEZAR disse...

Norma:

Como fui educado em escolas do Uruguai em vista do asilo político de meu pai, estudei todos os poetas da língua espanhola. Neruda é um dos maiores, sem dúvida. Mas temos outros gigantes e na esteira do teu post lembro Ruben Dario,José Martí e a fantástica Gabriela Mistral , entre outros(as) ...
Bj

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Amiga.

O riso de quem amamos
nos traz tanta alegria,
que ficar sem ele
é sentir a vida escorrer
por entre os dedos.

Que o amor tome sempre conta de ti

Norma Villares disse...

Fine Biscuit,
Segue meu email:
nvbarral@gmail.com

Norma Villares disse...

Não tem como entrar em seu blog.

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