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18/06/2011

Sonhei... Num ritual de passagem


(Estou fitando a natureza em Brasília - Pontão)

Quase meia noite, acordei de um sonho do passado, ainda meio zonza feliz eu cantava... Se a minh'alma busca estradas, ando cá fechada em minha torre de marfim, meio isolada nesse mundo de carmim. E se carmim é feito de matéria com a seiva imaculada, cá estou eu nesse sonho do passado, vivendo a transição da meia idade, em que nada ou tudo é entendido nesse grande varal de roupas lavadas e que nem cabe em meu corpo que a muito tempo deixou de ser sarada. Paradoxal!

Estava em meus sonhos e devaneios, numa cachoeira cheia de corredeiras, junto a uma pedra lisa sentada, lava minhas roupas coloridas, cantando feliz entoava: Olé Mulher rendeira, olé mulher rendá. Tu me ensinas fazer rendas, que eu te ensino a namorar... Tu me ensinas fazer rendas, que eu te ensino a namorar...

E todas as roupas eram do passado, coloridas, brancas, lindas vestes para amar nos sonhos de adolescente tímida e encantada. As brancas estendidas no corador, para o sol ajudar a alvejar... As coloridas no varal para sol e o vento num lindo sopro ajudar a secar.

Ruminando em silêncio... Descendo da minha torre de marfim. Se as roupas eram antigas cabiam no corpo juvenil, mas, não cabem nesse corpo de agora. Foi-se embora a estrutura de outrora.. Varando muitas noites ruminando a vida em silêncio.

Estou entrando na melhor idade da sabedoria, creio nesse sonho estar vivendo um ritual de passagem, e assim eu me recebo no rio da minha existência, louvada pela natureza cantante: terra; água; vento; sol e ar.

Oh! Querida e alma na aureolada transição dessa passagem de luz. Beijo-te as mãos e louvo-te os pés que andaram pelas trilhas sonoras de desertos e oásis. Hoje, a única coisa que importa é a vida em silêncio. Devolvo a 'terra mãe' as imagens ilusorias do passado, roupas bem lavadas pela água da flexibilidade e bem secas pela luz do sol que ilumina todos os cantos sombrios, pelos ventos soprados vibro na suavidade e leveza. Hoje eu sou o que eu para vim ser quem sou. Hoje serei sempre quem fui no fio da existência.

— É para ti essa passagem, alma bendita, pois nem sou quem tu és... sou mais...

Colhendo instantes tão gentis e fugidios, louvo a mãe terra que partilhou com esses presentes, cósmicas dávidas que ajudam no feliz ritual de passagem... Sozinha como eu vim a terra, sem palavras para descrever beleza indizível. Mas, com a companhia sinfônica de simples músicas de um povo simplório e humilde, nas corredeiras da vida eu me ritualizei.

Ecos da alma ressoavam sem fio e sem navio no rio existencial. Despida das velhas roupagens que não cabem mais...

Eu sou bem vinda a nova idade com gratidão e plenitude. Estou aqui

Passei!


3 comentários:

Norma Villares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Norma
Os indios fazem miutos rituais de passagem. Acredito que perdemos esse caminho. Muito bem lembrado, estou entrando numa nova fase de vida e vou fazer meu ritual.Beijinhos
Karina

Norma Villares disse...

POis é Karina, esquecemos de fazer rituais de passagens, entramos nas fase desatentos.Grata
Beijinhos

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