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06/02/2011

TRADUZIR-SE



Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
alomoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte
_ será arte?

Ao ler esta poesia percebi a natureza de uma intimidade profunda consigo mesma. Quantas partes da alma estão relegados a segundo e terceiro plano. Quantas vozes sedentas de falas estão mudas padecendo de afasia. Quantas paisagens deixamos de contemplar por falta de tempo. E se for enumerar, passaria o dia todo nesse lenga... lenga... risos. Mas, esta poesia encanta e roga uma intimidade maior consigo. Mostra-nos que chegou o tempo da convocação do "eu" essencial, a intimação das verdades da alma, excita-nos à comparecer perante a si mesma com a consciência desperta .
Quem sou!? Eu sinto que chegou o tempo da convocação. Sim, é tempo de convocação! Eis o tempo da intimação desabrochando no alvorecer d'alma! E como diz o poeta Caetano Veloso: é avesso do avesso (...) Eis-nos perante ao universo interior respondendo a "chamada". - Sim, aqui estou revirando-me pelo avesso para encarar cara a cara esta lúdica aprendizagem do auto-conhecimento. Esta investigação preciosa que traduziríamos como bem-aventurança, convocando-nos a inteireza do ser. Sem a severidade da 'mea culpa', sem severidade do 'julgamento exacerbado' e, sem outros sem... sem... sem...
Olhar, conhecer e caminhar na aventura do bem em si mesmo, por si mesmo e, abrindo espaços para aprender e compreender os deslizes. E numa atitude de contemplação avivarmos as soluções para repensar e resignificar as paisagens mentais dos áridos desertos d'alma.
E com fidelidade a si mesma e saboreando as esperanças, decidir firmemente.
- Eu decido ser quem sou, quem nasci para ser.
- Eu me acompanho fielmente com o prazer de caminhar nas trilhas de desertos e oásis...
- Eu decido encontrar espaços na minha alma para iluminação.
- Eu decido...
E parafraseando a epopéia de Dom Quixote de La Mancha, vivendo o caminho quixotesco, gritaremos ecos surdos.
Quantas decisões ainda teremos que vencer, para ter um pouco de paz!
Quantas?
Estou silenciando no alto da montanha...
Luz para todas as luzes que nesta caminhada Deus me abençoou.
Desculpas pela ausencia... desculpa euzinha, viu.
Abraços blogueiros

7 comentários:

manuel marques disse...

Análise perfeita ,de um poema perfeito.

Beijos meus.

Pedra do Sertão disse...

Olá, Norma,

essa poesia fez parte de minha vida em um passado que colabora com a sua versão!

Abração

Elaine Regina disse...

Por onde andas, amiga Norma?

Concordo com tudo o que disse. É tempo de se redescobrir a Alma, de responder ao chamado do Universo. E é difícil, viu?... Mas temos que ter força!

Beijão! Espero que esteja bem e que volte logo, com força total. Se isso não acontecer rapidamente, entenderei você. Também ando querendo me refugiar em longínquos montes, ficar longe e escutar mais a mim mesma. Esse mundo é barulhento demais... rs.

MARCIA PENNA disse...

Como é dificil ouvir o silêncio de nossas almas!! Mesmo sabendo que é inprescindível nos descobrir, as vezes parece mais cômodo não fazê-lo.
Parabéns pelo texto.

Scarell disse...

Lindíssimo,adoro Ferreira Gullar!!
Que cantinho mais aconchegante,rs, voltarei sempre. Uma pergunta:
onde foi que você achou o Gadget das bolinhas?.."brincando com as bolinhas"..

Parabéns, por todo esse conteúdo maravilhoso.

Scarell disse...

Meu Blog:

http://vibrealma.blogspot.com/

Bjs

IVANCEZAR disse...

Norma:

Desde o ano passado que voce está bem ausente . Vi que inclusive saiu da relação de seguidores do IVANCEZAR. Mas tenho a te dizer que voce tem um dos melhores blogs e faz falta. Volte !!

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