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17/05/2010

UM OLHAR PRA DENTRO DE SI


"Olhe para dentro e a vida, ao que parece, está longe de ser "assim".

Examine por um momento uma mente comum, num dia comum. A mente recebe milhares e milhares de impressões — triviais, fantásticas, evanescentes ou gravadas com a agudez do aço. Vêm de todos os lados, — uma chuva incessante de inúmeros átomos; e ao caírem, ao se transformarem na vida de segunda ou terça-feira, o acento recai de modo diferente do de antigamente; o momento de importância veio, não aqui, mas ali; de modo que se o escritor fosse um homem livre e não um escravo, se pudesse escrever o que bem lhe apraz e não o que lhe é imposto, se pudesse basear seus trabalhos nos seus próprios sentimentos e não nas convenções, não haveria enredo, nem comédia, nem tragédia, nem interesse de amor ou catástrofe, segundo o estilo convencional, e talvez nem um único botão fosse pregado em Bond Street conforme o desejo do alfaiate. A vida não é uma série de lâmpadas de trole simetricamente dispostas; a vida é um halo luminoso, invólucro semitransparente que nos circunda desde o começo da percepção até o fim. E não será esta a tarefa do romancista, a de transmitir, com tão pouca mescla do estranho e externo quanto possível, esse espírito mutável, desconhecido e ilimitado, quaisquer que sejam as aberrações ou complexidades que ele, romancista, possa descrever?” (Virginia Woolf).


Pois é gente amiga, que tipo de impressão estamos coletando diriamente? Creio que a mente é uma captadora de excelência, mas a vontade é o grande comandante. E o "novo" pede um olhar para dentro de si.
Fica aqui uma sugestão.
Pense Nisto!

10 comentários:

Jorge disse...

Norma, bom dia!!!

Uma bela sugestão. Além, claro de providencial já que nos habituamos a olhar para fora.
Achei uma visão e tanto da Virginia!!!

Amiga do coração, tenha uma excelente semana!!
Beijo!

Wanderley Elian Lima disse...

Boa reflexão, o que estamos fazendo com a nossa liberdade e a nossa vida.
Um abraço

angela disse...

Que texto bonito essse da Virginia, realmente são muitas as impressões que caem sobre nós, algumas nos tocam mais fortemente outras são leve brisa.
beijos

Mara Bombo disse...

querida Norma, lindo o seu Blog! parabéns!!! Hoje tirei o dia para visitar os amigos da Mel Redi e estou maravilhada com as belezas que leio e vejo.
Um grande beijo.
Mara Bombo

manuel marques disse...

óptima reflexão.

Beijo e uma óptima semana.

Anne Lieri disse...

Norma,que sábias as palavras de Virginia Woolf!Adorei sua postagem,levando-nos a refletir sobre o tradicional,ou melhor ainda,sobre escrever para os outros e não para si mesmo!Amei!Bjs,

Meri Pellens disse...

Cada dia são tantas coisas...
Exceente postagem.
Beijos na alma, querida!

Sônia Silvino disse...

Boa noite, meu bem!
Deu saudades e vim lhe visitar!!!
Você é como uma reunião de chocolate
Tem talento, tem prestígio...
... Vale mais q ouro branco,
Brilha mais que diamante negro,
E quem tem sua amizade pede bis!!!Deffanny
Bjkas, muuuitas!

Beatriz Prestes disse...

Um momento para refletir, e ponderar!
Nada como sugestões que nos transformem o vicioso pensar!
Sensacional!
Beijo minha amiga querida
Bea

GUINA disse...

INÓPIA NACIONAL
(À Pablo Neruda, in memorian)



Houve, por trás
Todo um engenho jurídico
De leis aqui
De leis acolá

Tudo muito bem definido
Um arcabouço de conceitos
Sutil, perverso, mentiroso

Criando nossa pobreza
Nossa ignorância
nossa ignomínia

Até alterar nosso corpo
Mudar nossa face
mudar nosso riso
Pela fome quotidiana.

Houve por trás
Uma mentira hasteada
Um canto anunciado
Símbolos trabalhados

Até cores delinearam
Até imagens fantasiaram
Até Castelos ergueram

Para escravizar
Para esfomear
Para empobrecer
Para aviltar.

Houve, por trás
(como até hoje há)
O discurso evasivo
A insinceridade pública
A mentira deslavada

Recriando a escravidão
Recriando a pobreza
Recriando a fome
Recriando a ignorância.

Houve, por trás
Toda uma teia
Todo um burburinho

De lei e leis
De Instituição e Instituições
De ordem e ordens
De Bandeira e Bandeiras
De Hino e Hinos
De Símbolo e Símbolos

Para re-escravizar o povo
Para re-empobrecer o povo
Para esfomear o povo

Em nome da Democracia
Em nome da Ordem
Em nome do Progresso

Isso, desde Marechal Deodoro,

Aquela Fonseca.


Guina*
2010

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