Pages

Subscribe

16/05/2014

Voa passarinho como ventania...

 
Enquanto o rio carrega
as estrelas em seu espelho.
Eu deixo espaço em meus olhos,
para seus olhos brilharem...
 como estrelas faiscantes.
E como cristais vertem lágrimas
no sincrônico encontro...
Liberdade voa com amor...
É o amor amado  que quer voar
como ventania nos ares febris da ilusão...
Voa calmo...
Voa sereno...
Voa passarinho e volta manso
para o deleite do amor sereno
juntinho de minha mão aberta
que te espera...
Norma Villares 
30.08.2011

PARA TI ...


Foi para ti

que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada

e para ti foi tudo



Para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram

no minuto em que talhei

o sabor do sempre



Para ti dei voz

às minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nós

nesse doce engano

de tudo sermos donos

sem nada termos

simplesmente porque era de noite

e não dormíamos

eu descia em teu peito

para me procurar

e antes que a escuridão

nos cingisse a cintura

ficávamos nos olhos

vivendo de um só

amando de uma só vida

Mia Couto



Um autor que leva as nuvens sem deixar  sair os pés da  terra.  Miau... Miau...

Abraços!

Norma Lúcia 


Li, gostei e encontre aqui neste site:

http://www.pensador.info/autor/Mia_Couto/

QUANDO FALO COM SINCERIDADE NÃO SEI COM QUE SINCERIDADE FALO...

Não sei quem sou, que alma tenho.

Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros). Sinto crenças que não tenho. Elevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore [?] e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada [?], por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.

Fernando Pessoa, in 'Para a Explicação da Heteronímia'

O que tenho de substancial, se com o passar do tempo detecto acúmulo de adjetivos firmando uma vida distante da essência original substantiva. Em quantos pedaços fui retalhada com o bisturi da fragmentação, sem costuras e sem remendos, que a sociedade impunha num extenso catatau de etiqueta e, sutil tom baixo de hipocrisia, denominado 'verniz'. Ah! A plúrima diversidade de mim mesma, postiça e baixo em todos os sentidos.

Se eu soubesse, eu tomaria o rumo em direção ao auto-conhecimento há muito tempo atrás, desde a gestação e, na embriogenese mudaria os filamentos das sinapse cerebrais para aprender a 'ser' sem perdas na interpretação da vida de fragmentação.

Navegaria em espaços aprendizes e lamberia o chão imitaria Várias 'personas' idealizados e insinceras, chorar em múltiplas página de um vida dos sentimentos contraditórios de inúmeros eus... inúmeros mundos que se fundem em um só.com msigificado.

Quando perco o endereço de mim mesma acabo me descontrolando
e sem costura. É do mais alto grau de sensibilidade que o extraordinário, e avantajado Fernando Pessoa tece a sua reflexão. Como ser sincero em algo se ao menos não temos essa realidade para com nós?

Somos exatamente o que o digníssimo disse:"uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço." e isso sintetiza a diversidade nos atos humanos e suas alternâncias como forma de aprendizado futuro.
Não podemos afirmar aquilo que não conhecemos,ou seja,isto a que compomos.
Sejamos ao menos consentâneos com esta realidade...difícil...Impossível?

Realmente, é impressionante como certos seres - e que SER este que nos escreve - são verdadeiros intérpretes da vida..das sensações...da multiplicidade.


Grande Fernando Pessoa!!!!!!!!!!!!

Oléeeeeeeeeeeeeee...
Abraços

Norma Lúcia





Revele-se

“É sempre assim que acontece - quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer.” 

Clarice Lispector   

art by Denitsa Toshirova


É sempre assim que acontece
Quando a gente se revela, 

os outros começam a nos desconhecer.


Clarice Lispector

SE O AMOR...


 "Se o amor leva à felicidade,
se leva à morte,
se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo…
Não faças de ti,
um sonho a realizar.
Vai".

Cecília Meireles

Se o amor leva à felicidade,
se leva à morte,
se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo…
Não faças de ti,
um sonho a realizar.
Vai.


Cecília Meireles

04/05/2014

DEIXA-ME PASSAR COM A MINHA NEGRITUDE.


 


O RACISMO É UMA CHAGA DA HUMANIDADE.
 

A pouco tempo torcedores de um time peruano gritavam e movimentavam como macacos, num ataque racista a um jogador negro (brasileiro) numa partida de futebol. Há dois atrás, na Espanha jogaram uma banana em outro jogador negro (brasileiro). Outro ataque racista no basquete indigna os EUA e repercute na Casa Branca. 

Eu vou comer banana em solidariedade a Daniel Alves, que mostrou excelente humor e muita inteligência emocional.

Mas, é sério! Nenhuma lei para punir severamente estes atos racistas. O fato de impedir a entrada no estádio, é pouco para estes racistas. O que vemos é mostra racista muito agressiva, relembrando o nazismo e fascismo. Voltamos ao ano de 1865 com a Ku Klux Klan (KKK) com as pregações da supremacia da raça branca, antissemitismo, o racismo, e a xenofobia. 

Não queremos mais o terrorismo, a violência e a intimidação como queima de cruzes, para oprimir suas vítimas negras.

Que todos nós juntemos nossas forças, para a promulgação de leis mais severas contra o racismo. 

Mas, fica uma terrível dúvida em minh'alma, que lei pode acabar com esses doentes???

Norma Lúcia Villares
29.04.2014



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...